sexta-feira, 8 de junho de 2012

MIELCARSKI


Mielcarski: «Fiquei a dever muitos golos ao F.C. Porto»
atacante polaco não esquece os dias de dragão ao peito
A relação entre Greg Mielcarski e o F.C. Porto tinha tudo para ser um sucesso. Um conto de fadas, uma comédia romântica condenada ao implícito final feliz. Não foi assim. Em quatro anos de dragão ao peito, Mielcarski recorda «mais lesões do que golos
«Tive a sorte de ser tetracampeão, mas não esqueço os muitos problemas físicos que tive. Sofri bastante, essa é a realidade. Fiquei a dever muitos golos aos adeptos e ao clube», reconhece Mielcarski, 13 anos depois de abandonar o F.C. Porto.

O polaco tinha pinta de craque e semelhanças óbvias com um astro holandês. «O presidente dizia sempre que eu era o Van Basten do F.C. Porto. Se não fossem as lesões ias para o lugar do holandês no Milan. Sempre confiei cegamente no Pinto da Costa. Tem magia na voz, encanta.»

41 jogos e oito golos em jogos do campeonato nacional são dados exíguos para um talento reconhecidamente superior. A frustração, porém, conduz a um punhado de boas memórias.

«Os meus melhores momentos no F.C. Porto? O grande golo no Estádio do Bessa, num remate rasteiro, dois minutos depois de entrar. Ganhámos 3-4 (22 de dezembro de 1997)», recorda Mielcarski, emocionado.

«Na semana anterior (13 de dezembro) tinha entrado perto do fim contra o V. Guimarães e fiz o único golo do jogo. Se tiver de escolher só um jogo, escolho a grande exibição e o golo contra o Corunha no Torneio Cidade do Porto. Fui o melhor em campo e isso abriu-me as portas do clube por muitos anos.»

«Embaixador e guia turístico» da cidade do Porto»

A direção do Turismo do Porto não sabe, mas tem em Greg Mielcarski um inestimável colaborador. «Sou o embaixador não oficial do Porto na Polónia!», adverte o ex-avançado. «A meu conselho já viajaram centenas de polacos para aí. Melhor guia turístico do que eu não há.»

A distância, de resto, não apaga de Mielcarski os rituais que tinha na cidade. «Eu vivia perto do Bessa, na rua São João de Brito. Quando estava lesionado, e só podia caminhar, ia até à Foz a pé. Era uma espécie de catarse, limpava a alma com a presença do mar.»

Até a afamada gastronomia nortenha é lembrada por Greg. Com água na boca. «A minha comida favorita era arroz de cabidela. Pica no chão, como os portugueses dizem. Sempre que vou a Portugal tenho de comer. Na Polónia não há nada disso».

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