domingo, 22 de abril de 2012




Incrível” na história do jogo e do estádio

Hulk não se limitou a entrar para a história do estádio. Hulk fez a história do jogo. Mais do que os dois golos, que lhe garantiram a condição de melhor marcador do Dragão, com 41 remates certeiros, o brasileiro acrescentou, entre a conversão do primeiro e do terceiro, a assistência para Janko fazer o segundo. O Beira-Mar não tinha como resistir a tamanha inspiração.

A pressa foi relativa e a pressão oscilante, gerida ao ritmo de uma estratégia que convidava o adversário a ir a jogo. E o Beira-Mar, em parte agradecido, até deu mais do que a organização com que se dispôs no relvado faria supor. Deu, inclusive, o que fazer a Helton. Mas o gás esgotou-se-lhe ao primeiro golo de Hulk, já numa fase de vincada superioridade portista.

O génio criativo de Lucho inventou um passe suficientemente perfeito para Dias, que jogava apenas há dez minutos, em substituição de Nuno Coelho, se sentir obrigado a agarrar Sapunaru, quando ao romeno se colocava um agradável dilema: decidir entre rematar ou oferecer o golo. Aos 33 minutos, da marca de penálti, Hulk não se limitava a dar vantagem ao campeão. Com ela, entrava também para a história do estádio, na qualidade de melhor marcador, que dividiu com Falcao, mas não por muito tempo.

Depois do intervalo, Hulk, que não foi feito para o desempenho de papéis secundários, reassumia a condição de protagonista, oferecendo a Janko o segundo golo com a precisão de um passe que não exigiu mais do que um toque para o fundo das redes. Aos 51 minutos parecia tudo feito e resolvido, mas o brasileiro tinha mais um golo para fazer. Bastaram-lhe três minutos e a assistência de Maicon para elevar para 41 a marca de remates certeiros no Dragão e ter à sua volta toda a equipa, com Helton incluído, a assinalar o registo histórico.

A rendição do Beira-Mar era definitiva. Já não havia transições que pudessem inverter o rumo do jogo ou, sequer, reformular a ténue pressão colocada sobre os Dragões cerca de duas horas antes. Sem que o resultado assumisse a diferença merecida, as distâncias na tabela foram recolocadas por uma exibição autoritária e, por momentos, avassaladora. Ficam a faltar três “finais”. Ou menos.

FICHA DE JOGO

FC Porto-Beira-Mar, 3-0
Liga, 27.ª jornada
21 de Abril de 2012
Estádio do Dragão, no Porto
Assistência: 33.412 espectadores

Árbitro: Bruno Esteves (Setúbal)
Árbitros assistentes: Mário Dionísio e Valter Ferreira
Quarto árbitro: Jorge Ferreira

FC PORTO: Helton; Sapunaru, Maicon, Otamendi e Alex Sandro; Defour, Lucho e João Moutinho; Hulk (cap.), Janko e James
Substituições: Defour por Fernando (53m), Sapunaru por Danilo (57m) e Janko por Varela (66m)
Não utilizados: Bracali, Kléber, Rolando e Djalma
Treinador: Vítor Pereira

BEIRA-MAR: Rui Rego; Nuno Lopes, Hugo (cap.), Bura e Joãozinho; Nuno Coelho, Balboa, Jaime e Serginho; Abel Camará e Nildo
Substituições: Nuno Coelho por Dias (12m), Serginho por Artur (59m) e Abel Camará por Edson Sitta (72m)
Não utilizados: Paes, Pedro Moreira, Dudu e Cássio
Treinador: Ulisses Morais

Ao intervalo: 1-0
Marcadores: Hulk (33m, pen., 54m) e Janko (51m)
Cartão amarelo: Abel Camará (15m), Dias (32m), Bura (35m), Defour (41m), João Moutinho (43m), Lucho (47m), Sapunaru (52m)

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